terça-feira, 2 de julho de 2013

CADU nas ruas por educação, transporte e democracia



O CADU apóia e está presente nas manifestações pelo aprofundamento da democracia no nosso país, o que passa pela exigência de maiores investimentos para a garantia de direitos básicos, sobretudo a educação. Semana passada (27.06.2013), aproximadamente 4.000 pessoas marcharam pelas ruas do centro da cidade de João Pessoa por outro modelo de transporte público. Em um só coro, com muita energia, tínhamos como foco a luta dos transportes (exigíamos passe livre para os estudantes e trabalhadores desempregados, redução na tarifa, aumento da frota e ampliação das linhas). Mas outras bandeiras populares também apareceram, como um maior investimento para a educação.

É hora de resgatarmos as nossas reivindicações não atendidas na última grande greve das universidades federais (2013) e exigirmos um plano de carreira compatível com os nossos anseios, por nós amplamente debatido e que garanta a autonomia e a seriedade do trabalho docente. É hora de darmos visibilidade às nossas cada vez mais precárias condições de trabalho, fruto da expansão REUNI sem a devida garantia de estruturas básicas para o exercício das nossas atividades.

As condições de trabalho dos professores das universidades federais estão bastante  precarizadas. São salas de aula superlotadas, com 60, 70, às vezes até 100 estudantes, o que gera uma sobrecarga nas nossas tarefas como correção de provas e trabalhos, prejudica qualquer metodologia de uma aula mais participativa e dialogada e nos acarreta de forma recorrente algumas doenças como faringites e estafa. Faltam prédios para que nossas aulas aconteçam, faltam também ambientes para que os professores possam se reunir com seus projetos de pesquisa e extensão. Talvez o mais grave nesse cenário é que não há um horizonte de melhoria por parte do governo federal.

No tocante a essa pauta, a presidenta Dilma Rousseff decidiu, recentemente, destinar 100% dos royalties do petróleo para a educação, o que já indica alguma conquista desse grande movimento. No entanto, não podemos nos contentar com tão pouco, tendo em vista que tal verba representa apenas 8% do dinheiro que o governo lucrará com a exploração do petróleo em nosso país, e decididamente não garantirá a reforma estrutural de que precisamos no âmbito educacional.

Embora seja difícil avaliar a dimensão desse momento histórico turbulento, tendo em vista o calor dos acontecimentos, fica claro que essas lutas atuais clamam por um aprofundamento da nossa democracia, baseadas em um sentimento generalizado de que é inaceitável a desigualdade social que vivemos no nosso país e no mundo. A transformação dessa realidade passa por um outro modelo de educação, que seja crítica e forme sujeitos conscientes do seu papel ativo na história. Nesse sentido, estamos todos e todas sendo educados(as) nesse momento, reaprendendo a ir às ruas massivamente clamar por nossos direitos. Nós, do CADU, entendemos que o bom professor está nessa luta agora, indo às manifestações e debatendo em sala de aula o contexto atual que vivemos no Brasil, estando ao lado dos estudantes da UFPB que estão tomando a frente nos protestos.

Para potencializar essa luta, precisamos que as organizações de esquerda se fortaleçam e assumam o seu papel nesse momento: inserir-se nas lutas do povo trabalhador, ajudando a organiza-lo. É pra isso que os nossos instrumentos nasceram: coletivos populares em geral, partidos políticos do amplo campo da esquerda, movimentos e sindicatos. Todos esses instrumentos criados para as lutas dos trabalhadores e do povo oprimido precisam, de fato, fazer uma profunda autocrítica em relação ao quanto se distanciaram dessas lutas e acabaram por burocratizar-se em torno de um pragmatismo político.

É o caso do nosso sindicato – a ADUFPB. Distante dos professores, com práticas despolitizadas que mais se assemelham a uma central de serviços para um grupo seleto de pessoas mais próximas, que se reúnem em torno de festas elegantemente pagas com o nosso dinheiro. Se os sindicatos em geral, e em particular a nossa ADUFPB, quiserem mais legitimidade junto a sua categoria, precisam rever as suas práticas e pensar em estratégias efetivas e inovadoras de mobilização dos nossos professores.

Nós, do CADU, vamos às ruas novamente na cidade de João Pessoa, na próxima quinta (04.07.2013). Por democracia. Por transporte público. Por educação.

Ana Lia Almeida
Professora do DCJ/CCJ - Santa Rita

Nenhum comentário:

Postar um comentário