Você não tem aula pela manhã, mas
acorda cedo e vem para a UFPB. Passa pelo seu Departamento e fala com outros
professores que lecionam no primeiro horário para convidá-los a participar da
assembleia da ADUFPB:
- Assembleia? Que assembleia?
- A assembleia que está marcada
para hoje e que foi convocada ONTEM à tarde. Você não recebeu o e-mail da
ADUFPB?
- Não. O e-mail foi enviado ontem
pela manhã?
- Não. As mensagens começaram a
chegar por volta das 15:50 hs.
Às 9 horas, você chega ao
auditório e encontra menos de 20 pessoas presentes, incluindo a diretoria do
sindicato.
Às 9:30hs, o presidente do
sindicato inicia a “assembleia” com os Informes, aguardando que mais
professores cheguem para compor o quorum regimental. Às 10:30, vendo que não
haveria número suficiente de participantes, a “assembleia” é encerrada sem que
nenhum tema relevante tenha sido discutido.
Na reunião de hoje, por exemplo,
a pauta prevista era: Informes, eleições da ADUFPB, Escolha de Delegados para o
58º CONAD; Condições de Trabalho e Construção da Pauta Local; Encaminhamentos.
Quando a reunião foi iniciada o atual presidente incluiu na discussão uma
questão que ele chamou de “burocrática” – a ampliação da autorização dos atuais
gestores para que estes possam continuar movimentando a conta corrente do
sindicato no Banco do Brasil. O problema: não havia quorum para aprovar esse
prolongamento de prazo, contudo, ele foi aprovado mesmo assim, pois, nas
palavras do presidente: “Para o Banco do Brasil, basta que tenha havido a
reunião, não importa se havia quorum ou não”.
Não é por acaso que formalmente
se exige uma assembleia para aprovar a prorrogação da autorização de
movimentação da conta. Isto se deve ao fato de os recursos serem da categoria e
não da direção. Não é uma questão burocrática e sim fundamental. Seria o
momento de explicar para a categoria em que pé andam as contas, porque o prazo
expirou antes do fim da gestão, o que se pretende fazer neste último mês de
movimentação bancária deste mandato. O grupo que dirige o sindicato há anos
prefere tratar o assunto como formalidade burocrática. Não considera
problemática a falta de quórum, ou seja, que a categoria de fato autorize a
movimentação de SEU dinheiro. Aliás, como poderia haver quórum se nem na pauta
(divulgada em cima da hora) o assunto estava? É por acaso que nem se mencionou
o tema na convocação para a assembleia?
Infelizmente, esse tem sido o
retrato de todas as assembleias da ADUFPB. As reuniões, marcadas
costumeiramente para o horário matutino, têm sido esvaziadas em termos
numéricos, mas, principalmente, de conteúdo.
Durante toda a assembleia, a
ausência de participantes foi tratada como uma questão burocrática quando, de
fato, trata-se do reflexo dos graves problemas POLÍTICOS do sindicato, a sua
falta de ressonância junto à categoria, a sua incapacidade de mobilização, o
seu descrédito. Mais grave ainda, a impressão que fica é que a desmobilização é
útil para quem está na direção.
Infelizmente, a prática da atual
direção da ADUFPB tem afastado os professores dos fóruns da entidade. A
assembleia do dia 26 – muito embora não fosse extraordinária – começou a ser
convocada pela entidade menos de 24 horas antes de sua realização! Não houve
qualquer discussão prévia sobre a composição da pauta, não houve sequer
divulgação adequada! No perfil da ADUFPB no Facebook, a convocatória da reunião
foi postada às 13:08 hs de 25/06, ou seja, na véspera, à tarde!
Questões fundamentais, como as
contas do sindicato, nunca são discutidas nas assembleias. Não falo apenas da
prestação de contas, mas do próprio planejamento do uso dos recursos do
sindicato. Durante a greve de 2012, por exemplo, surgiu o problema da falta de
um caixa da ADUFPBpara o Fundo de Greve. Recentemente, eu soube que o sindicato
apoiou a realização de um evento com recursos. Nada contra apoiar eventos
realizados na universidade, mas a questão é: quais são os critérios utilizados
para decidir quais eventos devem receber recursos da entidade?
A representação do sindicato em eventos
externos também é crítica. No último Congresso do ANDES, além da escolha dos
delegados ter sido feita de uma maneira esdrúxula, apenas um dos representantes
eleitos – o Prof. Pablo Andrada – teve a preocupação de preparar um relato
sobre o evento para divulgar entre os professores na assembleia seguinte.
Num dado momento, o Professor
Jaldes, membro da atual direção (e novamente candidato a presidente) da ADUFPB,
comentou: “talvez Deus traga o quorum para a próxima assembleia”. Sem querer
desrespeitar a crença religiosa de ninguém, quem tem de trazer gente para a
assembleia é a direção do sindicato.
E antes que alguém pergunte, vejam
o print screen do meu e-mail institucional com a convocatória da assembleia.
Prof.ª Mojana Vargas –
Departamento de Relações Internacionais/CCSA
(Com contribuições dos colegas Daniel Antiquera, Marcio Silva, Nivia Pereira e Pablo Andrada)
(Com contribuições dos colegas Daniel Antiquera, Marcio Silva, Nivia Pereira e Pablo Andrada)

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