quinta-feira, 27 de junho de 2013

As assembleias da ADUFPB: a verdadeira forma de agir de um sindicato que se diz de luta

Você não tem aula pela manhã, mas acorda cedo e vem para a UFPB. Passa pelo seu Departamento e fala com outros professores que lecionam no primeiro horário para convidá-los a participar da assembleia da ADUFPB:

- Assembleia? Que assembleia?
- A assembleia que está marcada para hoje e que foi convocada ONTEM à tarde. Você não recebeu o e-mail da ADUFPB?
- Não. O e-mail foi enviado ontem pela manhã?
- Não. As mensagens começaram a chegar por volta das 15:50 hs.

Às 9 horas, você chega ao auditório e encontra menos de 20 pessoas presentes, incluindo a diretoria do sindicato.

Às 9:30hs, o presidente do sindicato inicia a “assembleia” com os Informes, aguardando que mais professores cheguem para compor o quorum regimental. Às 10:30, vendo que não haveria número suficiente de participantes, a “assembleia” é encerrada sem que nenhum tema relevante tenha sido discutido.

Na reunião de hoje, por exemplo, a pauta prevista era: Informes, eleições da ADUFPB, Escolha de Delegados para o 58º CONAD; Condições de Trabalho e Construção da Pauta Local; Encaminhamentos. Quando a reunião foi iniciada o atual presidente incluiu na discussão uma questão que ele chamou de “burocrática” – a ampliação da autorização dos atuais gestores para que estes possam continuar movimentando a conta corrente do sindicato no Banco do Brasil. O problema: não havia quorum para aprovar esse prolongamento de prazo, contudo, ele foi aprovado mesmo assim, pois, nas palavras do presidente: “Para o Banco do Brasil, basta que tenha havido a reunião, não importa se havia quorum ou não”.

Não é por acaso que formalmente se exige uma assembleia para aprovar a prorrogação da autorização de movimentação da conta. Isto se deve ao fato de os recursos serem da categoria e não da direção. Não é uma questão burocrática e sim fundamental. Seria o momento de explicar para a categoria em que pé andam as contas, porque o prazo expirou antes do fim da gestão, o que se pretende fazer neste último mês de movimentação bancária deste mandato. O grupo que dirige o sindicato há anos prefere tratar o assunto como formalidade burocrática. Não considera problemática a falta de quórum, ou seja, que a categoria de fato autorize a movimentação de SEU dinheiro. Aliás, como poderia haver quórum se nem na pauta (divulgada em cima da hora) o assunto estava? É por acaso que nem se mencionou o tema na convocação para a assembleia?

Infelizmente, esse tem sido o retrato de todas as assembleias da ADUFPB. As reuniões, marcadas costumeiramente para o horário matutino, têm sido esvaziadas em termos numéricos, mas, principalmente, de conteúdo.

Durante toda a assembleia, a ausência de participantes foi tratada como uma questão burocrática quando, de fato, trata-se do reflexo dos graves problemas POLÍTICOS do sindicato, a sua falta de ressonância junto à categoria, a sua incapacidade de mobilização, o seu descrédito. Mais grave ainda, a impressão que fica é que a desmobilização é útil para quem está na direção.

Infelizmente, a prática da atual direção da ADUFPB tem afastado os professores dos fóruns da entidade. A assembleia do dia 26 – muito embora não fosse extraordinária – começou a ser convocada pela entidade menos de 24 horas antes de sua realização! Não houve qualquer discussão prévia sobre a composição da pauta, não houve sequer divulgação adequada! No perfil da ADUFPB no Facebook, a convocatória da reunião foi postada às 13:08 hs de 25/06, ou seja, na véspera, à tarde!

Questões fundamentais, como as contas do sindicato, nunca são discutidas nas assembleias. Não falo apenas da prestação de contas, mas do próprio planejamento do uso dos recursos do sindicato. Durante a greve de 2012, por exemplo, surgiu o problema da falta de um caixa da ADUFPBpara o Fundo de Greve. Recentemente, eu soube que o sindicato apoiou a realização de um evento com recursos. Nada contra apoiar eventos realizados na universidade, mas a questão é: quais são os critérios utilizados para decidir quais eventos devem receber recursos da entidade?

A representação do sindicato em eventos externos também é crítica. No último Congresso do ANDES, além da escolha dos delegados ter sido feita de uma maneira esdrúxula, apenas um dos representantes eleitos – o Prof. Pablo Andrada – teve a preocupação de preparar um relato sobre o evento para divulgar entre os professores na assembleia seguinte.

Num dado momento, o Professor Jaldes, membro da atual direção (e novamente candidato a presidente) da ADUFPB, comentou: “talvez Deus traga o quorum para a próxima assembleia”. Sem querer desrespeitar a crença religiosa de ninguém, quem tem de trazer gente para a assembleia é a direção do sindicato.


E antes que alguém pergunte, vejam o print screen do meu e-mail institucional com a convocatória da assembleia.




Prof.ª Mojana Vargas – Departamento de Relações Internacionais/CCSA
(Com contribuições dos colegas Daniel Antiquera, Marcio Silva, Nivia Pereira e Pablo  Andrada)

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