Nota de apoio do
CORDEL à luta dos estudantes da UFPB
O Coletivo Representativo
dos Docentes em Luta da UFPB – CORDEL – declara apoio à luta dos estudantes por
assistência estudantil e Restaurante Universitário para todos, principalmente o
piquete no RU do Campus IV, a greve de fome de quatro estudantes que ocorre na
entrada da Reitoria e a mobilização de outros estudantes do Campus I.
Políticas de Assistência
Estudantil e Permanência são imprescindíveis para a democratização das
universidades públicas, especialmente para a camada mais pobre de estudantes,
muitos de outras cidades e estados. Na UFPB, observa-se um número muito baixo
de estudantes assistidos e um RU extremamente restrito.
O momento de corte de
verbas federais não pode ser aceito como justificativa pois: 1) com recursos
escassos é que se revelam prioridades, e consideramos os estudantes, suas
condições de permanência e desenvolvimento de atividades, especialmente os
setores mais vulneráveis economicamente, como aqueles que devem estar no topo
das prioridades para destinação de recursos. 2) O papel de toda a comunidade
universitária, inclusive sua administração, não pode ser passivo e de aceitação
tranqüila de uma política econômica que retira recursos da educação pública.
Não admitimos que os cortes de verbas sejam tratados como algo incontestável, é
preciso enfrentar esta política, e não os estudantes que reivindicam
legitimamente seus direitos. 3) a utilização dos recursos disponíveis para
assistência estudantil, bem como os critérios utilizados, devem ser públicos e
sujeitos a discussão pelos estudantes e demais membros da comunidade
universitária.
Consideramos inaceitável
que a reitoria até o momento não tenha aberto um canal de diálogo e negociação
efetivos com os estudantes, que estiveram em reunião do Consuni e tiveram a
palavra cortada. A falta de democracia na UFPB é uma realidade a ser combatida
urgentemente. Manifestações são fundamentais para a vitalidade da universidade,
e não podem ser reduzidas ao mero cálculo eleitoreiro, de quem vê a política
apenas como disputa por aparatos e poder concentrados, em uma tradição
autoritária e coronelista que ainda não superamos. Muito menos a assistência
estudantil pode ser utilizada como moeda de trocas e práticas clientelistas.
Conclamamos a toda a
comunidade universitária a apoiar as reivindicações por direitos dos
estudantes, e especialmente a reitoria a abrir imediatamente um canal de
diálogo que encaminhe a resolução da tensão e evite desdobramentos drásticos.
Estamos do lado dos estudantes
e não mediremos esforços para a sua vitória, que é também a vitória de quem
luta por uma educação pública e democrática.
João Pessoa, 24 de
fevereiro de 2016
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