A Universidade segue um rumo preocupante e inadmissível. As condições para que cumpra seu papel de transformação social estão cada vez mais distantes. É preciso refletir, debater e agir para mudar essa situação!
domingo, 2 de outubro de 2016
terça-feira, 23 de agosto de 2016
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Educação Moral é Possível
A sociedade brasileira é chamada a participar de debates públicos e comentar sobre o projeto de Lei: PROGRAMA ESCOLA SEM PARTIDO, que pode ser encontrado no endereço eletrônico: http://www.programaescolasempartido.org/pl-federal/.
O programa é montado por princípios que devem regular três características essenciais das atividades de ensino: o uso da linguagem, o uso da autoridade (de educador) e a transmissão dos valores passados através de ambas. A proposta é aplicar os mesmos princípios a todos os níveis da educação nacional, regulando o ensino de nível superior e interferindo ainda em provas de concurso e acesso a carreira docente.
Como esse programa se tornou um Projeto de Lei?
Primeiro, no contexto político atual, é notório que este programa faz parte da reação dos movimentos políticos e religiosos de direita na sociedade brasileira. Por um lado, muitos dizem que vivemos nesse momento um deja vu de seis décadas passadas, quando vimos o Governo Federal substituir o ensino da sociologia e da filosofia nas escolas e universidades brasileiras e aprovar como disciplinas obrigatórias a Educação Moral e Cívica, Organização Social e Política do Brasil (OSPB) e o Estudo dos Problemas Brasileiros (EPB).
Por outro lado, é preciso reconhecer que este debate não poderia estar ocorrendo se estivéssemos seis décadas atrás. Por enquanto, ainda estamos exercendo o direito democrático de debater o destino da nossa sociedade. Não faz muito tempo que conseguimos esse direito. Por exemplo, foi recente que o Presidente Itamar Franco, em 1993, revogou os decretos que obrigavam as disciplinas citadas serem parte obrigatória do currículo educacional brasileiro. A regulamentação dessas matérias ficou a critério das escolas e passou a ser parte das ciências humanas e sociais. Em 1998, tivemos a construção e a implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e com eles retornam o ensino da filosofia e sociologia já no ensino médio e a educação moral e a ética perdem seu caráter de disciplina passando a serem ênfases transversais em todo o currículo educacional brasileiro.
O fatoSerá no auditório do CCHALA é que essa proposta de Lei não surge por preocupações com a educação, mas como uma estratégia política e ideológica para alterar a formação moral de nossos jovens.
Como diz o titulo deste texto, formação moral pela educação não só é possível, mas é desejável e a sociedade brasileira já mostrou a importância sobre o tema quando convidou uma comissão multidisciplinar para debater e construir as orientações sobre a Ética e Moral nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs).
O Projeto de Lei supostamente responde a uma acusação feita pelos autores do Programa Escola Sem Partido a professores que no exercício de sua profissão estão formando consciências sectárias, infligindo a ética e a moral dos estudantes com suas pedagogias ao promover os seus próprios interesses religiosos (ou falta de visão religiosa), morais e político partidários. A palavra MORAL é presente em todos os argumentos que formulam a Programa. Neste aspecto, o documento reflete uma inteligência criativa admirável. Os organizadores do “Programa Escola Sem Partido” distorcem o processo de educar com fina retórica. Primeiro, lançam a proposta para o debate popular e, com isso, fazendo uso dos Direitos conquistados em nossa recente democracia, transferem para a população a responsabilidade de aprovar uma lei discriminatória, oferecendo, portanto, legitimidade moral a discriminação em nome da Democracia Brasileira. È engano ou Pôncio Pilatos fez o mesmo lavando as mãos para a crucificação de Cristo?
Segundo, afirmam que existe uma transmissão de valores nas ações do professor em sala de aula. Claro que existe. Isso é uma verdade! A psicologia do desenvolvimento e da educação sempre estudou o significado moral das interações em sala de aula. As pesquisas buscaram compreender a qualidade dessas interações, os níveis de profundidade e o significado do que é transmitido aos alunos como valores e moral. A conclusão a que se chega é que o problema não ocorre quando a transmissão dos valores é explícita. Os alunos sabem se posicionar perante as posições valorativas de seus professores. Os alunos entram em conflito e o coletivo de professores e alunos toma as decisões após ampla discussão. Esse é o processo democrático e é o uso da liberdade. O problema surge quando a transmissão de valores é implícita. Os valores são implícitos quando a linguagem é travestida pelo argumento da neutralidade.
Terceiro, praticas pedagógicas e valores não são absolutos, certas práticas pedagógicas e certos valores realmente são preferíveis a outros, mas corrigidas as distorções o processo de tomada de decisão em sala de aula deve sempre ser de responsabilidade do professor. Transferir para aqueles que deve ser o educando e não o educador a responsabilidade de julgar o uso da linguagem e a suposta escolha de valores de um professor, é Maquiavélico. Pois, os autores não se abstêm de utilizar os jovens como meios para atingir seus objetivos doutrinários. O programa utiliza os jovens para aplicar aquilo que acusa ser feito pelos professores.
Concluindo, o Programa Escola Sem Partido visa regular o uso da linguagem, o uso da autoridade (de educador) e a transmissão dos valores passados nas atividades de ensino. É positivo estarmos aqui debatendo, mas é preciso cuidado. O Projeto de Lei ameaça recentes conquistas na educação por dentro do exercício do Direito de debater publicamente a aprovação da Lei. Por existir o debate os autores lavam as mãos se a proposta for aprovada pela população. O Programa é Maquiavélico quando transfere a autoridade do professor para o aluno. E, com o devido reconhecimento que a Moral é central na educação, esquece que a Moral não pode ser regulada por instituições externas ou políticas publicas, mas deve sempre ser mediada pelos indivíduos (Buzzel & Johnston, 2002).
Júlio Rique (1)
CORDEL
Referência
Buzzel, C.A. & Johnston, B. (2002). The moral dimensions of teaching: language,
power, and culture in classroom interaction. NY: RoutledgeFalmer
---//---
(1) Júlio Rique é professor coordenador do Núcleo de Pesquisa em Desenvolvimento Sócio-Moral do Departamento de Psicologia e Programa de pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade federal da Paraíba. E-mail: julio.rique@uol.com.br
Texto apresentado no debate (Des)montagens de uma escola sem Partido – Liberdade, Neutralidade e Pluralismo na Educação. Promovido pelo Cordel, UFPB, em 02.08.2016.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
(Des)montagens de uma Escola sem Partido - liberdade, neutralidade e pluralismo na educação?
O evento acontece nesta terça feira, 02 de agosto, às 9 horas, no auditório 411 do CCHLA, tendo como tema: (Des)montagens de uma Escola sem Partido - liberdade, neutralidade e pluralismo na educação?
O objetivo dessa atividade é proporcionar à comunidade acadêmica um aprofundamento das reflexões sobre os diversos projetos em discussão no Congresso Nacional, e em diversas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais por todo o país. Participarão os professores Thiago Bernardon, do Departamento de História; Julio Rique Neto, do Departamento de Psicologia; e a professora Virginia de Oliveira Silva, do Departamento de Habilitações Pedagógicas; sob a mediação do professor Roberto Rondon, do Departamento de Fundamentação da Educação.
Esse debate é uma organização do CORDEL – Coletivo Docente, com o apoio do CE, CCHLA, CCTA, DRI (CCSA), e de diversos departamentos, programas de pós-graduação e grupos de pesquisa desses centros.
sexta-feira, 1 de abril de 2016
A UFPB À BEIRA DAS ELEIÇÕES PARA A REITORIA
Este documento
sintetiza as reflexões, análises e proposições do CORDEL no importante momento
de escolha para a reitoria. Para nós, eleições não se resumem a diferentes cores
de camisa ou “X” numa cédula. Esperamos contribuir para o adensamento da
reflexão de que precisamos enquanto instituição.
A lógica das
eleições na UFPB tem sido de disputas em torno de indivíduos e a busca de apoio
a eles (nem sempre pela via do debate, convencimento e amadurecimento). É
necessário modificar esta cultura política, com um debate de conteúdo, motivado
pelo momento eleitoral, mas que o transcenda. Docentes, servidores administrativos
e estudantes não devemos ser apenas votos e/ou cabos eleitorais, mas precisamos
construir uma reflexão, coletiva e fundamentada, sobre o momento em que nos
encontramos e as direções para as quais pretendemos seguir. Só assim,
reconstruindo a disposição a uma participação efetiva, e realmente coletiva e
democrática, é que poderemos nos colocar à altura dos desafios enormes que a
UFPB, a educação pública e a sociedade brasileira enfrentam.
Expressamos abaixo
nossa avaliação e pontos que acreditamos fundamentais, e esperamos sejam
pautados neste momento eleitoral e além dele.
Sobre
o papel de uma reitoria:
Entendemos que, em
uma universidade, as mudanças de maior alcance não ocorrem pela via exclusiva
das instâncias administrativas. Qualquer projeto de mudança precisa estar
amparado e vinculado aos movimentos da comunidade universitária e do conjunto
da sociedade. A administração deve ser uma peça de um projeto maior, e não se
resumir à ocupação de cargos e disposição de recursos.
Neste sentido,
lamentamos a tradição personalista das eleições para reitoria na UFPB, pautada em
nomes e não em projetos, e também o seu distanciamento dos movimentos e grupos
que a compõem.
Uma candidatura para
a reitoria deveria ter ciência dos limites das Universidades Públicas em geral,
e da UFPB em particular, e da real dimensão dos gargalos enfrentados, ousando
na proposição de projetos autônomos. Entretanto, a maior parte das reitorias
das Instituições de Ensino Superior[1],
bem como a entidade que as representa nacionalmente, a ANDIFES, têm sido uma
nulidade do ponto de vista político, como instâncias de formulação de projetos
coletivos para a universidade e para a sociedade. Os ocupantes dos cargos se
colocam usualmente apenas como gerenciadores dos recursos disponíveis e
operacionalizadores das diretrizes do MEC. O problema é que:
1) Os recursos
disponíveis são insuficientes e, muitas vezes, como nos anos recentes, ainda
contingenciados - uma questão política, e não técnica ou de gestão. A ausência
de manifestação pública e oficial contra os cortes em 2015 e a aceitação
passiva de novos cortes em 2016 são atitudes lamentáveis e inaceitáveis. A
reitoria precisa de uma postura crítica perante o MEC e o Governo Federal
quando adotam medidas patentemente prejudiciais à Universidade Pública;
2)
As
políticas (mudanças de regimentos e regras em geral, sistemas de planejamento,
avaliação e controle) são feitas com inversão de prioridades, sem uma visão
clara e de conjunto a orientá-las, desconexas umas das outras e mesmo com
contradições e incompatibilidades internas nas normas e entre elas. O resultado
é a completa dissociação entre a parte administrativa e a parte acadêmica, explicitando
a ausência de um projeto. Sem um projeto de universidade com amplo
amadurecimento público e coletivo, sistematizado e que oriente a administração,
a gestão é uma deturpação. Os gestores não devem ser meros burocratas ou
despachantes de processos. Eles também são, acima de tudo, atores acadêmicos. Devem,
portanto, exercer seu papel de forma crítica e na sua plenitude (administrativa
e acadêmica).
Sobre
o atual momento
Como
uma das grandes vítimas da crise pela qual passa o país, a Educação Pública vem sofrendo
ataques em diferentes frentes: mercantilização; privatização; precarização do
trabalho e das condições de produção do conhecimento (inclusive, mas não só, em
termos de infraestrutura); opção por metas quantitativas em detrimento da
relevância do que se produz; heteronomia completa da pós-graduação; ampliação
do acesso à universidade sem as correspondentes medidas para garantir a
permanência dos estudantes e a qualidade de suas formações; cisão entre ensino,
pesquisa, extensão e gestão, entre os diversos níveis de ensino, e também da universidade
com a sociedade.
Estas
ameaças se inserem na lógica financista e privatista com que os diferentes
governos têm conduzido as políticas públicas. A educação, a saúde, a
assistência e previdência sociais ficam à margem das prioridades reais, voltadas
para o pagamento da dívida pública. Nem ao menos se questiona a legalidade de
parte substancial desta dívida e a hegemonia dos setores ligados às finanças. A
questão não é retórica, diz respeito à possibilidade real de se discutir e
construir um projeto para a universidade, o que exige romper com a tendência
financista. Ou se atua por projetos, ou pelos restos e migalhas que sobram para
a educação pública. São opções excludentes. A universidade, como instituição,
deve zelar pelas condições de seu funcionamento e identificar as tendências
contrárias a serem combatidas. Além disso, enquanto espaço de produção de
conhecimento e com condições de formular uma reflexão mais profunda, não pode
se furtar a um debate permanente sobre o cenário em que se insere.
Em
um momento como este, de crise e de respostas conservadoras no poder executivo,
legislativo e judiciário, além de em amplos setores da sociedade, não resta
alternativa, para promover mudanças, que não seja o enfrentamento. Qualquer
proposta que renuncie ao enfrentamento aberto e incisivo a esta lógica é, a
nosso ver, completamente inadequada e inócua.
Sobre
a cultura política na UFPB
No
cotidiano da UFPB temos presenciado situações absurdas, como:
1) Falta de democracia:
em decisões centrais como a adesão à EBSERH; na elaboração da estatuinte; na
mudança de regras no processo eleitoral; na ausência de diálogo efetivo com os
estudantes, que precisaram fazer uso de medidas drásticas, como uma greve de
fome, para poderem ter suas demandas negociadas; na mudança de regras
fundamentais sem um real debate democrático, como o regulamento da graduação,
os sistemas de avaliação e controle e os encargos docentes;
2) Concentração de
poder: verificado na distribuição de espaços, recursos, cargos e códigos de
vagas, sem qualquer critério transparente, democraticamente construído e com
controle da comunidade;
3) Como o poder e os
recursos na reitoria são concentrados, a disputa por este aparato ganha
contornos de guerra e as relações dentro da universidade ficam completamente
cindidas, permanentemente tensionadas, um ambiente impróprio para um diálogo
real e efetivo entre os diversos setores e grupos, em prejuízo dos fins de uma
administração;
4) Submissão acrítica à
lógica da terceirização: não se fiscaliza a forma de agir destas empresas e
ainda há a exclusão prática de seus trabalhadores da comunidade universitária (uma
suposta inclusão, parcial e arbitrária, não pode ser feita ferindo o estatuto
da universidade, somente para aumentar a chance de manutenção do poder, como no
lastimável e recente caso de inclusão dos funcionários da EBESERH no colégio
eleitoral da escolha da reitoria); ausência de uma política de segurança
democraticamente construída; não transparência nos contratos e na sua execução;
5) Desperdício de
recursos públicos: inúmeras obras mal feitas e inacabadas, sem uma
responsabilização clara e pública, e sem perspectivas para solucionar os
problemas causados pela sua interrupção ou entrega com defeitos; passagens
compradas a preços vultuosos; mal uso da energia elétrica (aparelhos de ar
condicionado ligados em salas vazias e de portas abertas); gastos
desproporcionais no fim do exercício contábil, para “não devolver” o dinheiro;
6) Ausência de
infraestrutura para o desenvolvimento das atividades acadêmicas: falta
infraestrutura adequada para permanência dos discentes, docentes e servidores administrativos;
inadequação de muitos prédios e auditórios, inclusive novos, a normas de
acessibilidade física e de segurança (fuga e combate de incêndios);
7) Desconexão entre a
parte administrativa e a parte acadêmica da universidade;
8) Práticas políticas
arcaicas, como favorecimentos e personalização dos serviços (dependência de determinadas
pessoas para algumas funções, o que concentra em suas mãos o poder de decisão,
torna ineficiente o atendimento das demandas e permite todo tipo de jogo
político);
9) Ineficiência na
manutenção de equipamentos e infraestrutura;
10)
Falta
de transparência e democracia na cessão de espaços a empreendimentos privados.
Diretrizes
que, na visão do CORDEL, deveriam ser encampadas por uma candidatura à reitoria
1. Adoção de uma
posição não passiva diante do MEC e do Governo Federal;
2. Denúncia e rompimento
do contrato com a EBSERH;
3. Negação de contratos
via organizações sociais, fundações e estabelecimento de cursos pagos no âmbito
da UFPB;
4. Fiscalização rígida
dos contratos de terceirização e encaminhamentos para a reversão do processo;
5. Prioridade: debate
urgente, democrático e aumento de recursos para assistência estudantil;
6. Reforma, ampliação,
melhoria de qualidade e criação de mais Restaurantes Universitários, com acesso
universal, pela adoção de faixas que vão da gratuidade ao pagamento de
diferentes valores;
7. Ampliação das vagas
em residências universitárias e de bolsas de permanência;
8. Auditoria das
últimas gestões;
9. Auditoria dos e
responsabilização pelos contratos das obras;
10. Construção imediata
de um processo estatuinte efetivamente democrático, com difusão ampla de
informações e oficinas prévias de formação sobre a estrutura da universidade e
seu estatuto, discussões descentralizadas, inclusive sobre a metodologia, e diálogo
com os setores organizados e representações da universidade;
11. Autonomia
financeira: reivindicação de verbas vinculadas – a exemplo das estaduais
paulistas (proposta a ser levada a ANDIFES, ANDES-SN, FASUBRA, associações
científicas e outras instâncias e movimentos);
12. Transparência:
Financeira – disponibilização das informações financeiras de forma acessível,
de fácil compreensão, e orçamento participativo; Contratos – formulação e
execução; Recursos – distribuição dos recursos e dos códigos de vaga com
critérios claros e democraticamente discutidos;
13. Cultura democrática:
formulações coletivas de fato das decisões; desconcentração de recursos; despersonalização
dos processos e procedimentos; diminuição da margem de arbitrariedade;
14. Eleições paritárias
entre os três segmentos, em todos os níveis;
15. Democratização e
controle social (inclusive com eleições) da prefeitura;
16. Criação de um fórum
permanente de debate sobre o papel da pesquisa, a produção do conhecimento e o ensino.
Debate permanente e sistemático sobre o sentido e as condições da produção do
conhecimento: incluindo plágio, propriedade intelectual, inovação, produtivismo,
as relações entre a universidade pública e os interesses privados, culminando
com diretrizes normativas sobre o trabalho intelectual que reflitam este debate
acumulado, inclusive rediscussão democrática dos critérios de progressão e
contagem de títulos para ingresso na carreira docente (que dão, por exemplo, um
sobrepeso às horas-aula);
17. Política, efetiva e
sistemática, de incentivo à capacitação e defesa da dedicação exclusiva;
18. Extensão: prioridade
para projetos em favor dos trabalhadores e camadas mais exploradas da
sociedade, espaço para as suas demandas, inserção regional da universidade (por
exemplo, na formulação e execução de políticas de desenvolvimento regional,
urbanismo e mobilidade, estrutura fundiária, produção de alimentos, saúde
pública, combate à violência), diálogo permanente real, aberto e público com
diversos setores, principalmente os sindicatos e movimentos sociais que lutam
por direitos;
19. Crítica e combate à
situação de completa heteronomia a que é submetida a pós-graduação: critérios
de avaliação, falta de recursos permanentes;
20. Construção de uma
política de segurança comunitária, humanista, não militarizada e com diálogo
aberto com a comunidade e concentração da força repressiva apenas em situações
muito específicas, de maior gravidade e de conhecimento público;
21. Tolerância zero com
o racismo, violências contra as mulheres, assédio moral, e sexual, discriminações,
desrespeito à acessibilidade: criação de um observatório de violências para
acompanhamento e sistematização destes fatos, com acolhida às vítimas e força
institucional para impulsionar e garantir a punição aos agressores, além do
incentivo a disciplinas, pesquisas e formações extracurriculares sobre estes
temas;
22. Ampliação e melhoria
da política de cotas com base em análises sobre as reais condições de
permanência dos estudantes: construção de uma política de acompanhamento e
manutenção combatendo a evasão escolar;
23.
Construção
uma política permanente de cultura e esportes na universidade.
SÍNTESE DE NOSSA POSIÇÃO
Com este documento o
CORDEL pretende contribuir com um debate de conteúdo e concepções. A partir
dele, temos conversado com diferentes setores da universidade, como também com
as candidaturas postas. Estamos dispostos ao diálogo franco e aberto, inclusive
com a próxima reitoria.
No entanto, elementos
fundamentais expostos acima, principalmente uma real disposição ao
enfrentamento das políticas (internas e externas) que ameaçam o caráter público
da educação, não estão contemplados nos debates e no processo de divulgação das
candidaturas, embora haja diferenças claras entre elas, e uma delas representar
mais diretamente a continuidade da situação atual, a nosso ver inaceitável.
No momento, nossa
posição é a de não apoiar, coletivamente,
nenhuma chapa, mas queremos construir conjuntamente, a partir dos princípios
apresentados, outra Universidade. Individualmente, os membros do CORDEL farão
suas escolhas. Mas, acima de tudo, o grupo e seus membros defendem os pontos
expostos aqui.
quinta-feira, 10 de março de 2016
Pintando o mundo de lilás: feminismo, autonomia e a crise
Mulheres professoras, estudantes, trabalhadoras domésticas, do
comércio, camponesas, negras, lésbicas,
mães ou não, trabalhadoras paraibanas: hoje, 08 de Março, é o nosso dia! O dia
da mulher que trabalha e luta, o dia da mulher que não aceita o mundo como ele
está.
O Coletivo Representativo dos Docentes em Luta (CORDEL) da UFPB
saúda este dia e as bandeiras que ele carrega. Bandeiras que não começaram a
ser erguidas pelas mulheres de hoje, mas remontam a séculos de resistência contra toda a história
de exploração e violência contra nós, especialmente a exploração no mundo do
trabalho.
Não é à toa que o 08 de Março rememora o triste episódio em que
dezenas de operárias norte-americanas foram trancadas dentro de uma fábrica e
queimadas pelos seus patrões. Elas foram assassinadas porque protestavam por
melhores condições de trabalho. Esta luta continua atual. Todos trabalhadores
são explorados e desrespeitados. Mas a situação das trabalhadoras é ainda pior:
recebem salários menores, menos respeito, mais assédios, ocupações precárias. E
além da exploração no trabalho remunerado, são submetidas a um pesado trabalho
não remunerado, doméstico, onde ocorrem violências constantes. Em tempos de
crise, a situação só piora.
É inegável que o mundo passa por uma grave crise - econômica, mas
também política, social e de valores. Uma crise global do capitalismo. No Brasil, o governo federal não cria
a crise, mas escolhe as respostas a ela. Não podemos
negar que as opções político-econômicas do governo federal contribuem para o
agravamento dessa crise de modo especialmente penoso para as trabalhadoras e os
trabalhadores do nosso país.
O ajuste fiscal, com a retirada de direitos conquistados por nós
com tanto suor e luta, indica com clareza a opção do governo em nos fazer pagar
a conta da crise. Menos dinheiro para a saúde, para a educação e para os
investimentos sociais em geral. As reformas necessárias para superar
problemas estruturais do Brasil, como o acesso à terra, ao território e à
soberania alimentar (Reforma Agrária), à moradia (Reforma Urbana), à democracia
(Reforma Política) etc., se não estavam mais, há tempos, no programa do governo
Federal na “Era PT”, com a crise político-econômica agora agravada, sumiram de vez da pauta. Fica cada vez mais
evidente que o PT e o Governo Dilma não nos apontam caminhos à esquerda para
enfrentar a crise econômica de modo a atender aos interesses das trabalhadoras
e dos trabalhadores.
Não fazemos coro, no entanto, com as vozes das elites do país que convocam o impeachment da Presidenta, buscando colocar na agenda política opções igualmente ou ainda mais nefastas para os interesses das classes populares. São as mesmas vozes que cantam alto contra nossos direitos, das mulheres, ao trabalho digno, ao nosso corpo, à nossa participação política na democracia. Mas entendemos, por outro lado, que os arranjos que trouxeram a “governabilidade” agora em crise do PT e do Governo Dilma são os mesmos que fortaleceram esses setores conservadores, e, portanto, o governo federal não é uma simples vítima da grave crise política que se instalou no Brasil. O poder de Eduardo Cunha, por exemplo, é símbolo desses arranjos que possibilitam relações contraditoriamente fraternais entre o PT e os setores ditos mais “conservadores” da política nacional que agora clamam pelo impeachment. Não é possível, desse modo, questionar Eduardo Cunha e as “forças conservadoras” sem questionar o compromisso do Partido dos Trabalhadores com estes setores.
Por isso acreditamos que é preciso construir outras possibilidades
políticas e organizativas para as esquerdas, forjadas na luta da classe trabalhadora. Acreditamos, também, que a luta das
mulheres é indispensável para construir essas alternativas. O novo mundo que está por vir (embora pareça
distante e incerto nesse momento) será construído com as nossas próprias mãos,
ou não será novo. Um mundo pintado de lilás, pelas mãos das mulheres que
trabalham, de braços dados com os seus companheiros e companheiras.
Por um mundo sem qualquer tipo de opressão contra nós mulheres!
Por um feminismo com autonomia política e
liberdade para construir a luta nos marcos das contradições da sociedade
capitalista sem abrir mão dos princípios revolucionários que organizam nosso
anseio pela construção de uma sociedade livre da exploração do trabalho e que a
luta pela emancipação humana seja a nossa principal motivação.
Por isso saudamos a memória do dia 08 de
Março! Por isso saudamos a luta de nós mulheres! Por isso saudamos o novo mundo
que virá! E por
isso nos mantemos em luta!
CORDEL,
Março de 2016
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Nota de apoio do
CORDEL à luta dos estudantes da UFPB
O Coletivo Representativo
dos Docentes em Luta da UFPB – CORDEL – declara apoio à luta dos estudantes por
assistência estudantil e Restaurante Universitário para todos, principalmente o
piquete no RU do Campus IV, a greve de fome de quatro estudantes que ocorre na
entrada da Reitoria e a mobilização de outros estudantes do Campus I.
Políticas de Assistência
Estudantil e Permanência são imprescindíveis para a democratização das
universidades públicas, especialmente para a camada mais pobre de estudantes,
muitos de outras cidades e estados. Na UFPB, observa-se um número muito baixo
de estudantes assistidos e um RU extremamente restrito.
O momento de corte de
verbas federais não pode ser aceito como justificativa pois: 1) com recursos
escassos é que se revelam prioridades, e consideramos os estudantes, suas
condições de permanência e desenvolvimento de atividades, especialmente os
setores mais vulneráveis economicamente, como aqueles que devem estar no topo
das prioridades para destinação de recursos. 2) O papel de toda a comunidade
universitária, inclusive sua administração, não pode ser passivo e de aceitação
tranqüila de uma política econômica que retira recursos da educação pública.
Não admitimos que os cortes de verbas sejam tratados como algo incontestável, é
preciso enfrentar esta política, e não os estudantes que reivindicam
legitimamente seus direitos. 3) a utilização dos recursos disponíveis para
assistência estudantil, bem como os critérios utilizados, devem ser públicos e
sujeitos a discussão pelos estudantes e demais membros da comunidade
universitária.
Consideramos inaceitável
que a reitoria até o momento não tenha aberto um canal de diálogo e negociação
efetivos com os estudantes, que estiveram em reunião do Consuni e tiveram a
palavra cortada. A falta de democracia na UFPB é uma realidade a ser combatida
urgentemente. Manifestações são fundamentais para a vitalidade da universidade,
e não podem ser reduzidas ao mero cálculo eleitoreiro, de quem vê a política
apenas como disputa por aparatos e poder concentrados, em uma tradição
autoritária e coronelista que ainda não superamos. Muito menos a assistência
estudantil pode ser utilizada como moeda de trocas e práticas clientelistas.
Conclamamos a toda a
comunidade universitária a apoiar as reivindicações por direitos dos
estudantes, e especialmente a reitoria a abrir imediatamente um canal de
diálogo que encaminhe a resolução da tensão e evite desdobramentos drásticos.
Estamos do lado dos estudantes
e não mediremos esforços para a sua vitória, que é também a vitória de quem
luta por uma educação pública e democrática.
João Pessoa, 24 de
fevereiro de 2016
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