Após
anos de trabalho na docência, no momento de nossa aposentadoria,
ainda temos que enfrentar situações de desrespeito à nossa
participação na sociedade sendo tratados como sujeitos a serem
descartados.
Nossas
lutas
Várias
têm sido as ofensivas sobre nossa condição de trabalhadores. Aqui
iremos citar só algumas: a criação de um fosso entre ativos e
aposentados pela implantação de diversas formas de incentivo à
dirigidas exclusivamente aos decentes na ativa; a criação do
FUNPRESP (Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público
Federal), que consideramos a principal afronta à nós que
contribuímos com a previdência durante toda nossa vida; o fim do
Art. 192 do RJU, eliminando a possibilidade de, no momento de sua
aposentadoria, o docente vir a receber o equivalente ao nível
superior. Todas essas medidas tem um só objetivo – a
desvalorização do trabalho docente. Nós, que já acumulamos um
enorme conhecimento e que já contribuímos com a produção do
saber, não podemos permitir isso.
Aposentado.
Presente! Ser sujeito, ser autônomo, ser de luta
Ficar
aguardando que tudo se resolva não pode ser nossa posição. Temos a
luta em torno da PEC 555 e pela reestruturação de nossa carreira.
Precisamos estar presentes, saber analisar as proposições e,
compreender os desdobramentos e consequências, através do
conhecimento dos dispositivos legais e do contexto onde se afirmam
esses dispositivos e sua tramitação.
Reconhecemos
que essa luta é de todos os professores, mas é, principalmente,
nossa. Ser sujeitos de nossa própria luta é fundamental. Não
podemos aceitar sermos conduzidos por caminhos escolhidos por outros.
Conquistar nossa autonomia significa nos empoderarmos participando do
cotidiano de nosso sindicato como trabalhadores em luta. Queremos ser
mais do que um objeto esquecido no fundo de uma gaveta.
Luta
pela VIDA
Ser
aposentado não deve significar o isolamento do universo do
conhecimento. É tarefa de todos nós criar possibilidades para que
essa nova condição de existência seja vivida com prazer e
inventividade. De nossa pauta deve fazer parte o engajamento na luta
contra a medicalização da vida. A indústria farmacêutica tem se
alimentado das angústias e das dificuldades daqueles que têm
enfrentado condições de isolamento causadas pela aposentadoria e
pelo envelhecimento natural. Construir uma rede que nos articule é
fundamental. Nossa luta, como aposentados, deve ser pela vida, com
autonomia e afirmação de direitos de voz e de existência digna.
Por
uma Rede de Conhecimentos!
Essa
é a hora de nos diferenciarmos com propostas que resgatem nossa
vivacidade. Nossa contribuição no CORDEL será a criação de uma
rede que trance nossos conhecimentos de modo a valorizar o que
produzimos em nossa história na pesquisa, no ensino e na extensão.
Poderemos juntos construir propostas para continuarmos a afirmar
nossa opção pela docência e pela investigação científica. Um
outro lugar, um outro conceito de aposentadoria poderá assim ser
criado.
Angela Maria Dias Fernandes
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