quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Aposentadoria não é presente. É conquista de trabalhador

Após anos de trabalho na docência, no momento de nossa aposentadoria, ainda temos que enfrentar situações de desrespeito à nossa participação na sociedade sendo tratados como sujeitos a serem descartados.

Nossas lutas
Várias têm sido as ofensivas sobre nossa condição de trabalhadores. Aqui iremos citar só algumas: a criação de um fosso entre ativos e aposentados pela implantação de diversas formas de incentivo à dirigidas exclusivamente aos decentes na ativa; a criação do FUNPRESP (Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal), que consideramos a principal afronta à nós que contribuímos com a previdência durante toda nossa vida; o fim do Art. 192 do RJU, eliminando a possibilidade de, no momento de sua aposentadoria, o docente vir a receber o equivalente ao nível superior. Todas essas medidas tem um só objetivo – a desvalorização do trabalho docente. Nós, que já acumulamos um enorme conhecimento e que já contribuímos com a produção do saber, não podemos permitir isso.

Aposentado. Presente! Ser sujeito, ser autônomo, ser de luta
Ficar aguardando que tudo se resolva não pode ser nossa posição. Temos a luta em torno da PEC 555 e pela reestruturação de nossa carreira. Precisamos estar presentes, saber analisar as proposições e, compreender os desdobramentos e consequências, através do conhecimento dos dispositivos legais e do contexto onde se afirmam esses dispositivos e sua tramitação.

Reconhecemos que essa luta é de todos os professores, mas é, principalmente, nossa. Ser sujeitos de nossa própria luta é fundamental. Não podemos aceitar sermos conduzidos por caminhos escolhidos por outros. Conquistar nossa autonomia significa nos empoderarmos participando do cotidiano de nosso sindicato como trabalhadores em luta. Queremos ser mais do que um objeto esquecido no fundo de uma gaveta.

Luta pela VIDA
Ser aposentado não deve significar o isolamento do universo do conhecimento. É tarefa de todos nós criar possibilidades para que essa nova condição de existência seja vivida com prazer e inventividade. De nossa pauta deve fazer parte o engajamento na luta contra a medicalização da vida. A indústria farmacêutica tem se alimentado das angústias e das dificuldades daqueles que têm enfrentado condições de isolamento causadas pela aposentadoria e pelo envelhecimento natural. Construir uma rede que nos articule é fundamental. Nossa luta, como aposentados, deve ser pela vida, com autonomia e afirmação de direitos de voz e de existência digna.

Por uma Rede de Conhecimentos!
Essa é a hora de nos diferenciarmos com propostas que resgatem nossa vivacidade. Nossa contribuição no CORDEL será a criação de uma rede que trance nossos conhecimentos de modo a valorizar o que produzimos em nossa história na pesquisa, no ensino e na extensão. Poderemos juntos construir propostas para continuarmos a afirmar nossa opção pela docência e pela investigação científica. Um outro lugar, um outro conceito de aposentadoria poderá assim ser criado.

Angela Maria Dias Fernandes


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