Antes de apresentar nossas diretrizes
para política cultural, é fundamental esclarecermos qual nossa visão de
cultura. Comecemos, portanto, dizendo o que a cultura não é. Em primeiro lugar,
cultura não é e não pode ser simples entretenimento, sem conteúdo, sem vida e
sem participação ativa da comunidade docente e acadêmica. Valorizamos e vamos
incentivar e promover os momentos de celebração, as festas e o encontro. Mas
para que isso faça sentido é preciso que de fato haja verdadeira interação
entre os docentes, entre a comunidade acadêmica, que haja vida no campus, que
os coletivos e grupos tenham um espaço aberto para o diálogo, para que identifiquem
no sindicato a sua política, não apenas que encontrem apoio, mas que se
reconheçam na direção dos rumos do movimento docente.
Cultura não é e não pode ser
mercadoria, a gestão da política cultural não pode corresponder a uma gestão
empresarial. Uma coisa é celebrar com toda a comunidade, integrando a
comunidade à vida universitária, outra coisa é contratar bandas e grupos de
cultura que nada têm a ver com a realidade da universidade, que recebem seu
cache e vão embora.
Entendemos cultura, portanto, como a
vida pulsante da comunidade acadêmica em contato com seu entorno. Cultura é
encontro de diversas formas de ver e viver, cultura é a celebração da luta
quotidiana dos docentes, dos movimentos e dos coletivos que integram a
universidade e a cidade. Só pode ser compreendida, e vivenciada, de uma
perspectiva política, coletiva, de intervenção social.
Neste sentido, pretendemos trabalhar a
partir de dois eixos: atuação sindical na universidade e atuação sindical para
além dos muros da universidade. É importante deixar claro, contudo, que estes
dois eixos não consistem em duas realidades separadas, pelo contrário,
entendemos a universidade como parte da cidade e a cidade como parte da universidade.
Somente assim a universidade poderá de fato cumprir o seu papel de fomentar a
diversidade cultural e política tanto na cidade quanto nela própria.
Algumas diretrizes para a atuação
sindical na universidade: valorizar e fomentar a produção dos docentes no que se
refere à dança, à poesia, à música, ao cinema, ao teatro, à fotografia, à literatura,
bem como outras formas de expressão artística e cultural, apoiando e organizando,
junto com os coletivos já existentes na universidade, espaços de interação,
como saraus, rodas de conversa, cineclubes, atos culturais. Apoiar os grupos e
projetos de extensão, dar suporte para suas demandas, estabelecer parcerias
para cursos e atividades educativas e culturais, revitalizando a sede social de
Cabo Branco. Muitas atividades são feitas na universidade, mas os diversos
grupos que as promovem não têm um espaço onde possam se encontrar e unir forças,
trocar ideias, potencializar esforços. É papel do sindicato promover e
incentivar esses encontros. Além disso, o sindicato precisa ajudar a facilitar
a aproximação das pessoas com as manifestações culturais, provocando a que
saiam da condição de consumidores para a de produtores, quebrando fronteiras e
promovendo o contato, ao invés do distanciamento. Para isso, oficinas,
atividades abertas, espaços livres para expressão e manifestação de todas e
todos.
Em articulação com a universidade,
entendemos ser função do sindicato incentivar e integrar os diversos grupos e
coletivos da cidade. Neste sentido é importante promover a cultura na cidade,
fazer parcerias com os grupos tradicionais e mais novos que promovem atividades
culturais. Tornar as festas e celebrações da universidade um espaço para
difusão da cultura produzida pelos grupos locais, ocupando diversos espaços,
internos e externos, não restritos a locais pomposos, caros e elitizados (e
patrocinados por empresas privadas).
No dia 03 de dezembro, VOTE CORDEL (CHAPA 2)!

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