sábado, 28 de novembro de 2015

Arte, Educação e Precariedade: Desabafo de educadoras em luta

O Curso de Licenciatura em Dança da UFPB é um dos mais novos do Brasil, iniciando suas atividades em outubro de 2013. Junto aos cursos de Bacharelado e Licenciatura em Teatro, além do Mestrado Profissional em Artes – ProfArtes, forma o Departamento de Artes Cênicas, que integra o Centro de Comunicação, Turismo e Artes.

Provavelmente, para a criação e aprovação da Licenciatura em Dança foi exigido que tivesse um número mínimo de professores para funcionar com qualidade e uma infraestrutura capaz de abrigá-lo, oferecendo assim, uma formação satisfatória para seus alunos.

No que se refere a formação do corpo docente, pudemos contar com os professores que já lecionavam no Departamento de Artes Cênicas, além de mais oito professores que foram contratados antes mesmo do Curso começar, dando a oportunidade de nos debruçarmos em cima das disciplinas, projeto pedagógico de curso, entre outras questões que contribuíram para o bom início e andamento das nossas atividades.

No entanto, no que tange a infraestrutura ainda não temos condições ideais de ensino-aprendizagem da dança. A preocupação do Curso, obviamente, não é formar bailarinos e sim professores aptos a ensinarem dança, enquanto área de conhecimento, em ambientes educativos formais e não-formais. Mas, nossos alunos estão passando pelas disciplinas sem saber o que é ter aula em um espaço adequado, que tenha piso apropriado para a prática de dança – evitando assim lesões – climatização, aparelho de som, projetor, computador, etc., equipamentos importantes para uma formação completa.

Inicialmente, as aulas aconteciam em chão de cimento e em uma sala cheia de muriçocas, sem ar condicionado. Posteriormente, conseguimos duas salas emprestadas, uma com chão improvisado de madeira e outra com tatame. Com a limitação de espaço adequado, os estudantes não têm salas para realizarem ensaios, preparar aulas e trabalhos, sobrando apenas o chão de cimento. Há pouco tempo, o corpo docente conseguiu, a partir de uma mobilização dos discentes, colocar ar condicionado nas salas supracitadas, o argumento decisivo para isso foi o fato de alunos estarem desmaiando de calor, inclusive nas aulas teóricas, ou seja, a saúde dos discentes estava sendo diretamente afetada devido às condições inadequadas dos nossos ambientes.

É necessário abordar que há um prédio para o Departamento de Artes Cênicas que, recentemente, nos foi entregue. Todavia, as salas para as aulas práticas são de cimento grosso, impossibilitando qualquer uso, além disso, não há boa ventilação e muito menos ar-condicionado, o que dificulta a ocupação do prédio. Sendo assim, continuamos nas salas emprestadas. Temos um teatro inacabado, cuja construção está abandonada. Outra situação que vale a pena trazer à tona é que todos os professores precisam fazer investimentos pessoais para dar uma aula com qualidade, ou seja, cada um possui a sua caixa de som, seu computador, seu projetor, entre outros.

Reconhecemos que estas são questões de luta e que um sindicato comprometido pode corroborar para a resolução ou encaminhamentos dessas problemáticas, apoiando de forma significativa docentes e discentes, vislumbrando uma universidade de excelência.

Michelle Gabrielli
Juliana Costa Ribeiro
Bárbara Santos
Candice Didonet
Carolina Laranjeira.

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