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sexta-feira, 19 de julho de 2013

ADUFPB: quem te viu, quem te vê!


Nossa querida ADUFPB já viveu momentos de lutas, de representação legítima e de presença marcante junto aos docentes da UFPB. A prova é que, da direção da ADUFPB, já saíram dois REITORES, os professores Neroaldo Pontes de Azevedo (1992 – 1996) e Jader Nunes de Oliveira (1996 – 2004), o que demostra o reconhecimento da comunidade docente aos presidentes legitimamente eleitos.
Ora, seria cômico, se não fosse lamentável, observar e constatar que o modelo de gestão burocrática e desmobilizadora desenvolvido pelas últimas gestões da ADUFPB levou a política de nosso sindicato à inércia, envelhecendo precocemente, se abrigando no conforto burocrático festivo e assistencialista.
Pasmem colegas, é essa mesma chapa que se apresenta para mais uma vez comandar e liderar nossa categoria. Comparem os nomes atuais com os nomes das últimas gestões e verão que são velhos conhecidos. A chapa de atual gestão agregou alguns poucos nomes novos, contudo, o conteúdo da política para o sindicato continua a mesma. Observem bem, as aparências não enganam. 
Não é por acaso que, na divulgação da chapa 01 (Unidade e Luta – 10% do PIB para a Educação, aliás, alguém é contra???)  “resumo do nosso plano de trabalho”, não consta absolutamente nada dos feitos daqueles que comandaram e comandam atualmente nosso sindicato. NINGUÉM MERECE!!!!
Sofismar é fácil, afinal, frases de efeito como (autonomia e independência de partidos políticos; enfrentamento da precarização; contas online, dentre outras) só enganam aos tolos, porque após tantos anos de gestão, quem nunca teve vontade política de fazer VAI FAZER AGORA???
A CHAPA 2 “O NOVO SEMPRE VEM” pode até suscitar dúvidas, afinal o “novo” não é necessariamente melhor, pode nem mesmo ser “bom”. Por isso, apelamos a que avaliem nossa carta programa, nossas propostas, conversem, participem do processo. Não pedimos votos por amizade, simpatia, relações pessoais e muito menos em troca de favores quaisquer. Queremos que a categoria se pronuncie sobre qual sua avaliação do papel do sindicato atualmente, sobre o nosso projeto e ainda, possa expressar para onde quer que a ADUFPB caminhe. Afinal, esta participação é o conteúdo principal do que chamamos de NOVO. Trocar a ideia de um sindicato como aparato de um mesmo grupo, por outra de um instrumento de fato da categoria, que esteja presente em seu cotidiano, transparente, e não apenas a represente, mas principalmente seja espaço de sua expressão, e seja fator de aglutinação e mobilização e não de afastamento de descrédito. 
As mudanças não se constroem por palavras de meia dúzia, mas por projetos verdadeiramente coletivos e pessoas atuando coletivamente para expressá-los e defendê-los. Estamos unidos neste momento crucial para os docentes. Sempre!
Prof. José de Arimatéia Fontes - DFE/CE

EaD é assunto para sindicato?

Claro que sim! 

Tudo que diz respeito à categoria docente e à precarização do trabalho docente é assunto de sindicato!
Na última e mais longa greve que vivenciamos na UFPB no ano passado, houve uma grande novidade - um novo segmento da categoria docente se apresentou no processo: docentes da educação a distância (EaD). Assim como os docentes vinculados à pós-graduação, a resistência à participação no movimento paredista foi muito grande e a discussão conjunta acabou acontecendo apenas quando o reitor suspendeu o semestre letivo, ou seja, comprometeu efetivamente as atividades da EaD.
Entretanto, este novo segmento da categoria docente é bastante heterogêneo. Professores com vínculo e sem vínculo com a UFPB se somam aos tutores, presenciais ou a distância, que não têm vínculo empregatício com a universidade, mas devem ter vínculo com alguma instituição pública (municipal, estadual ou federal, mesmo que seja como professor ou estudante de pós-graduação) para justificar sua contratação.
Pois bem, o comando local de greve na UFPB, em 2012, buscou abrir espaço para a conversa, que foi um pouco difícil. Isso porque, apesar de desejarem que a EaD seja institucionalizada na UFPB, a pressão externa da CAPES com ameaças de suspender o pagamento das bolsas os afastou do embate político. Parecia até que docentes em greve estavam em lado contrário ao dos docentes da EaD. Algo parecido acontece com os professores das pós-graduações.
No pós-greve, a gestão atual da ADUFPB não tem fomentado este diálogo, apesar de a precarização do trabalho docente atrelada à EaD ser evidente.
Como exemplo de situações que denotam esta precarização do trabalho docente na EaD podemos ressaltar o desmembramento do trabalho docente em figuras diferentes – professor e tutor, transformando o processo ensino-aprendizagem em uma linha de montagem onde cada trabalhador desempenha uma função desarticulada do todo e do produto final; sobrecarga do trabalho (quantidade de estudantes e de tarefas para acompanhar e avaliar) sobre alguns membros desta equipe, sobretudo sobre os tutores – presenciais e a distância; falta de vínculo institucional para todos os tutores e boa parte dos docentes, membros desta equipe; precária infraestrutura para o exercício da docência pelos diferentes membros da equipe; e desvalorização de alguns membros da equipe com baixos valores da remuneração, em geral na forma de bolsa, e que não gera benefícios trabalhistas.
Uma análise mais detalhada e prolongada pode apontar outra infinidade de fatores que denotam a precarização do trabalho docente na EaD, mas, para começar a entender a necessidade de se discutir a EaD, como bandeira da categoria docente, esta lista já dá pra começar.
É por isso que a Chapa 2 “O NOVO SEMPRE VEM” acredita que o sindicato deve se aproximar dos docentes envolvidos com a EaD (tutores e/ou professores) para,  contando com a participação de tod@s, traçarmos uma estratégia de luta contra esta precarização e rumo à institucionalização da EaD na UFPB.
Sindicato de verdade, discute e encaminha questões relevantes para a categoria!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Condições de trabalho docente e vias institucionais impedidas

O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais - REUNI  têm seus méritos como, por exemplo, a interiorização do ensino superior e a criação de novos cursos. Porém, a concepção política que concebeu essa reestruturação e ampliação no sistema universitário brasileiro é ultrapassada e trouxe junto com ela o acirramento de divisões acadêmicas que não mais existem em universidades de educação liberal em países avançados. Cresceu o racha na estrutura acadêmica entre as graduações e as pós-graduações com consequências visíveis na administração, autonomia e cultura universitárias, mas esse tema fica para outra postagem.

No balanço dos méritos e prejuízos do REUNI, a mudança no sistema se caracteriza pela imposição do Governo Federal e submissão das Reitorias, Centros e Departamentos ao processo. Um autoritarismo “nunca antes” esperado por aqueles que lutaram pela liberdade durante a redemocratização do Brasil. Valendo lembrar que a categoria dos professores de ensino superior sofreu baixas significativas em seu contingente durante os 30 anos de ditadura no Brasil. Depois de uma luta subversiva por uma militância corajosa, a categoria hoje encontra um governo que não negocia e desrespeita a voz dos professores.

Ainda ecoa nos espaços virtuais e aos ouvidos dos professores as palavras do Ministro da Educação Aloísio Mercadante dizendo em uma entrevista que “os professores estão sentindo as dores do parto”. Durante a greve mais longa do ensino superior onde os professores buscavam proteção diante das condições de trabalho, o Sr. Ministro faz alusão ao parto por considerar as dores inevitáveis ao nascimento de uma  criança, que deve crescer e se desenvolver, mas o desenvolvimento depende da qualidade do contexto que o REUNI seria inserido O contexto atual mostra que o governo federal impregnou o seio do único setor social que ainda pode ser responsável pelo avanço de uma nação, a educação. O leite não será nutritivo para a criança que nasce, pois a mãe se encontra moribunda. As mudanças impostas às universidades mostram-se de qualidades duvidosas, quantitativamente excessivas, tanto quanto catastróficas no que se referem às condições do trabalho as quais professores, servidores técnicos administrativos e alunos estão sujeitos.

No âmbito local da UFPB, as condições de trabalho a que estão sujeitos os docentes e técnicos vêm sendo denunciadas e debatidas nos colegiados departamentais. Encaminhamentos são tirados das reuniões e seguem propriamente pelas vias institucionais solicitando providencias aos setores competentes da UFPB como, por exemplo, dos Departamentos para a Direção de Centros, Reitoria, etc. Porém, na grande maioria dos casos não existe retorno desses processos. Os processos se acumulam, ficam engavetados e literalmente caem no esquecimento até que um novo processo chega para ser acumulado sobre o montante já existente. As práticas institucionais não estão seguindo seu curso justo.

Como exemplo mais recente, a Clínica de Psicologia, que atende a comunidade paraibana e é central ao curso de formação de psicólogos, fechou suas portas por falta de condições de funcionamento. A precariedade física e higiênica, e a falta de segurança para os técnicos e professores que ali trabalham, mesmo durante o dia, impedem a clínica de ser utilizada. Conseguiu-se a construção de um novo espaço (ou puxadinho) que, diga-se de passagem, custou dinheiro público, mas a incapacidade dos profissionais de planejamento de utilizar recursos públicos de forma adequada construiu um conjunto que mais se parece com uma “rodoviária” de cidade pequena. O puxadinho também é digno de uma analise Lacaniana. Foram construídos dois blocos separados, porém unidos por um cordão umbilical, ou seja, um corredor aberto ao sol escaldante ou as chuvas ligando o absurdo que foi a construção de um prédio que não possui luz elétrica (bloco 1) ao nada que serve as duas ou três pequenas salas quentes e isoladas do outro lado (bloco 2).

Os professores e técnicos se perguntam: onde foi parar o projeto de construção de uma nova clínica para a psicologia entregue e discutida junto com a Direção de Centro? Acho que deveria se falar de projetos no plural, pois com o passar do tempo diversos projetos já foram encaminhados e nada foi solucionado.

Na sua luta diária, os professores caminham para as salas de aula carregando diariamente o equivalente a 3 quilos de peso de “bagagem pedagógica”. Um professor do departamento de Sociologia até apelidou os professores de “Cangaceiros Virtuais” tantas são as alças de equipamentos que cruzam o peito dos professores que segue em frente na sua lida diária. É verdade também que alguns professores estão se rendendo as mochilas com rodinhas, pois no lombo o peso é grande.  

 A foto ilustra os equipamentos maiores que são carregados para a sala de aula diariamente: data shows, transformadores, livros etc. Dentro das bolsas vão diversos fios conectores, carregadores, adaptadores e, se brincar, encontrará até elevadores, já que as novas construções não possuem acessibilidade e foram construídas com três vãos de escadas. Diferente da alusão de dor feita pelo Sr. Ministro, os 3 quilos desse material tecnológico transportado diariamente gera dores e enfermidades reais no corpo dos professores. 

Embora os caminhos percorridos entre os departamentos e as salas de aula sejam longos e as novas construções faltem em acessibilidade para os cadeirantes, algo inimaginável para uma universidade pública nos tempos atuais, os novos blocos ainda fazem diferença por serem mal acabados, vergonhosamente barateados e sem condição de funcionamento. Como foi utilizada a verba para essas construções? A quem competia o planejamento e a supervisão do uso do dinheiro público? 

Não tentem buscar respostas a essas questões, pois as vias institucionais se encontram impedidas de trâmite. Se bem que poderia o sindicato dos professores atuar, pois é a única força institucional que os professores possuem e para o qual eles contribuem mensalmente, mas até para os sindicatos vale perguntar: O que faz (ou fez) o sindicato para proteger e defender as condições de trabalho dos professores diante das mudanças impostas pelo governo federal? A que se destina a ADUFPB?

Júlio Rique Neto
Professor do Departamento de Psicologia
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social
UFPB

terça-feira, 4 de junho de 2013

Sindicato ausente: professores insatisfeitos

Nos últimos anos, nossa ADUFPB tem estado ausente das causas dos professores: salariais, acadêmicas e sociais, pois nada fez ou nem tomou conhecimento de vários problemas enfrentados pela categoria. Esse cenário tem demonstrado que o modelo de representação sindical, que nossos representantes têm desenvolvido ao longo dessas duas décadas, não tem servido aos interesses concretos dos professores. 

No que concerne às questões acadêmicas, estamos vivenciando situações de insegurança e estresses. O professor por diversas vezes é destituído de autoridade e autonomia acadêmica, dando margem para que alunos e familiares, em sala de aula, no espaço do campus ou mesmo fora dele, venham a agredir professores de forma verbal e\ou física, situação que levam muitos professores a desenvolverem doenças típicas, a saber: estresse, depressão, síndrome do pânico, irritabilidade, cansaço excessivo, dentre outras. 

Não bastasse a insegurança, estamos vivenciando em nossa prática docente, salas de aulas com um número absurdo de alunos (salas com 65; 80 e até 94 alunos). A questão que levantamos é: Cadê nosso Sindicato? Quais são as políticas sindicais para denunciar e enfrentar tais problemas? Em relação a política sócio–cultural de nosso sindicato, dispensa comentários, basta ver e sentir a que ponto chegou nossa sede social, a um estado de nulidade plenaFica evidente que aqueles que se dizem velhos de guerra e experientes trocaram o debate político pela burocracia sindical.

Diante de um cenário tão desfavorável aos interesses dos professores, é preciso construir uma frente de oposição capaz de resgatar a autonomia sindical que nos últimos anos foi totalmente controlada e atrelada a interesses burocráticos em detrimentos as causas dos docentes de nossa instituição. Diante desse estado de coisas, é preciso que um novo grupo possa empreender um esforço coletivo para propor uma alternativa política com a participação ativa e intensa dos docentes, capaz de debater e influir nas políticas desenvolvidas pela Reitoria.

É chegada a hora de uma integração mais efetiva entre a Direção do Sindicato e a base docente.  Integração que será construída através de atividades sociais, culturais e políticas renovando e fomentando o debate em temas importantes para a os docentes, a UFPB, e a sociedade. Nesse sentido, a integração se consolidará no momento em qualquer decisão de interesse dos professores seja homologada através da realização de assembleias, seja no âmbito das campanhas salariais, orientação e participação nas politicas acadêmicas no contexto da UFPB, dentre outras.

Portanto, é hora de MUDAR, “VAMOS JUNTOS” iniciar um trabalho de tornar nosso Sindicato efetivamente presente em todos os locais de trabalho, em contato com todos os professores da UFPB.

José de Arimatéa Fontes
Professor do DFE\CE\CAMPUS I\UFPB.